Cheque devolvido na factoring: o que acontece e o que fazer
Quando um cheque trocado volta, a factoring identifica o motivo da devolução e inicia a cobrança. Quem responde pelo valor depende do contrato assinado e da causa do problema, por isso ler as cláusulas antes de operar é a principal proteção da empresa.
Você trocou cheques de clientes, recebeu o dinheiro e seguiu a rotina. Semanas depois, chega o aviso: um dos cheques voltou. A primeira pergunta é natural: e agora, quem paga? A resposta honesta é que depende. Este guia explica o que costuma acontecer com um cheque devolvido na factoring e por que o seu contrato é o documento que manda.
O que é um cheque devolvido na factoring
Quando a empresa troca um cheque, ela cede o crédito à factoring, que passa a ser a titular do título. Na data combinada, a factoring apresenta o cheque ao banco. Se o banco não paga, o cheque é devolvido com a indicação do motivo.
A partir daí, o cheque deixa de ser um recebível em dia e vira um crédito a cobrar. A factoring avisa a empresa, identifica a causa e decide, conforme o contrato, como conduzir a cobrança. Por isso é importante entender o motivo antes de qualquer conclusão.
Motivos de devolução de cheque e por que eles importam
Os motivos de devolução de cheque podem ser agrupados em três tipos, e cada um leva a uma conversa diferente:
Problemas financeiros do emitente: falta de fundos na primeira ou na segunda apresentação, conta encerrada. Aqui o título é legítimo, mas quem deveria pagar não pagou.
Problemas formais do cheque: assinatura divergente ou ausente, rasura, erro de preenchimento. Muitas vezes dava para evitar na conferência inicial.
Contestação pelo emitente: sustação ou oposição ao pagamento. Pode indicar um desacordo comercial, como mercadoria não entregue, devolvida ou com defeito.
Esse último grupo é o mais delicado. Se o cliente sustou o cheque porque a venda teve problema, a discussão deixa de ser só sobre inadimplência e passa a envolver a própria origem do crédito.
Quem responde pelo valor: o contrato decide
Não existe uma resposta única para todos os casos. A responsabilidade do cedente na factoring depende do que foi pactuado e da natureza do problema. Por isso, a recomendação mais importante deste artigo é: leia o contrato antes de operar e guarde uma cópia.
Em linhas gerais, a cessão de crédito é tratada no Código Civil, nos arts. 286 a 298. Pela lógica da cessão, quem cede um crédito costuma responder pela existência e pela legitimidade desse crédito. Ou seja, se a venda não aconteceu, ou se houve vício na origem do título, a situação do cedente tende a ser mais complicada.
Já a inadimplência pura do emitente, quando a venda foi real e correta, é um ponto em que os contratos variam. Alguns preveem cláusula de recompra de cheque devolvido em determinadas hipóteses; outros tratam o risco de outra forma. O tema tem nuances jurídicas, e não cabe aqui afirmar uma regra geral. Em caso de dúvida, consulte um advogado de sua confiança.
Como costuma ser a cobrança
Cada factoring tem seu procedimento, que deve estar descrito no contrato. Em termos gerais, o caminho costuma passar por estas etapas:
Comunicação da devolução ao cedente, com o motivo informado pelo banco.
Contato com o emitente para entender a causa e buscar o pagamento.
Reapresentação do cheque, quando o motivo permite e faz sentido.
Negociação de acordo ou, conforme o contrato, acionamento do cedente.
Medidas de cobrança pelos meios legais, quando necessário.
A Lei do Cheque, Lei 7.357/1985, é a norma que regula o cheque no Brasil e dá base para a cobrança. Os detalhes de prazos e procedimentos dependem do caso concreto, por isso vale conversar com quem acompanha a operação.
O que fazer ao receber o aviso
Agir rápido e com informação ajuda a resolver o problema com menos desgaste. Um roteiro prático:
Peça o motivo da devolução por escrito.
Ligue para o seu cliente e entenda o que houve. Às vezes é um atraso pontual que se resolve em dias.
Releia as cláusulas do contrato sobre devolução, recompra e prazos.
Separe pedido, nota fiscal e comprovante de entrega da venda que originou o cheque.
Registre tudo o que for combinado, com datas.
Se o problema for comercial, como mercadoria devolvida, resolva a pendência com o cliente o quanto antes. Isso pesa diretamente na forma como a situação será tratada.
Como reduzir o risco de devolução
A melhor forma de lidar com cheque devolvido é evitar que ele aconteça. Algumas práticas ajudam bastante:
Confira cada cheque no recebimento: assinatura, valor por extenso, data e dados do emitente.
Aceite cheques de emitentes identificados e com histórico conhecido.
Evite concentrar muito valor em um único cliente.
Só troque cheques de vendas efetivamente entregues e sem pendência comercial.
Antes de fechar qualquer operação, faça estas perguntas e peça as respostas por escrito: o que acontece se um cheque voltar por falta de fundos? E se voltar por sustação? Existe cláusula de recompra? Em que prazo? Há encargos sobre o valor devolvido?
Uma factoring séria responde com clareza e mostra onde isso está no contrato. Se as respostas forem vagas, desconfie. O guia sobre como escolher uma factoring confiável lista outros sinais de atenção.
Próximo passo: opere com regras claras
Um cheque devolvido na factoring não precisa virar crise quando as regras estão claras desde o início. Se a sua empresa quer trocar cheques com contrato transparente e gerente dedicado, conheça a troca de cheque em Goiânia e peça uma análise de crédito pelo WhatsApp. Leia o contrato com calma e tire todas as dúvidas antes de assinar.
Perguntas frequentes sobre cheque devolvido na factoring
Se o cheque voltar, eu tenho que pagar a factoring?
Depende do contrato e do motivo da devolução. Alguns contratos preveem recompra ou ressarcimento pelo cedente em certas situações; outros limitam essa obrigação. Quando o problema está na origem da venda, a responsabilidade do cedente tende a ser maior. Leia o contrato e, se houver dúvida, consulte um advogado.
Quais são os motivos mais comuns de cheque devolvido?
Os mais comuns são falta de fundos, sustação pelo emitente, conta encerrada, divergência ou falta de assinatura e erros de preenchimento. O banco informa o motivo na devolução, e esse motivo orienta a cobrança e a conversa sobre quem responde pelo valor.
O que fazer quando recebo aviso de cheque devolvido na factoring?
Primeiro, peça o motivo da devolução por escrito. Depois, fale com seu cliente para entender o que aconteceu e releia as cláusulas do contrato sobre devolução. Reúna pedido, nota e comprovante de entrega da venda. Com isso, você negocia com base em fatos.
A factoring pode cobrar o emitente do cheque diretamente?
Em regra, sim. Com a cessão, a factoring passa a ser a titular do crédito e pode cobrar o emitente pelos meios legais, inclusive com apoio da Lei do Cheque (Lei 7.357/1985). Como a cobrança será conduzida, e se a empresa participa dela, deve estar descrito no contrato.
Para trocar cheque pré-datado na factoring, a empresa confere os cheques, faz o cadastro, envia os dados para análise do emitente, aprova a proposta com o deságio por escrito, entrega os cheques para custódia e recebe o valor líquido via TED ou PIX.
O factoring dá à pequena empresa caixa rápido sem criar dívida, com uma análise focada nos clientes que pagam os títulos. Tem custo e exige perfil mínimo, por isso rende mais quando o dinheiro antecipado gera retorno.
Para antecipar boletos, a empresa envia à factoring os boletos emitidos contra clientes pessoa jurídica, com a nota fiscal da venda. Após a análise dos sacados e a aprovação da proposta, recebe o valor líquido via TED ou PIX, e a cobrança segue o que o contrato define.